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|Variedades - De teoria à prática - Sílvia Gusmão

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Educação como Prioridade

Consultora Silvia Gusmão avalia projetos para a educação brasileira.
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Publicado em 01.11.2014 - Edição 839

Coluna da Rede Gestão: Durante o período eleitoral, falou-se muito na questão do investimento na educação, qual é a sua opinião sobre a educação no Brasil?


Sílvia Gusmão: Embora o País tenha praticamente ultrapassado a barreira da universalização do ensino, é preciso avançar no sentido de garantir que os alunos aprendam. A qualidade da Educação Básica do Brasil é inferior à dos principais países líderes e emergentes, o que é evidenciado no altíssimo índice de analfabetismo funcional da população. De acordo com o estudo internacional The Learning Curve 2014, o Brasil aparece na 38ª posição entre quarenta países onde o desempenho escolar e as habilidades cognitivas foram avaliados. Esse problema não será resolvido por meio do acesso ao Ensino Superior. Os efeitos desse déficit educacional comprometem a inclusão social, o sistema produtivo e o desenvolvimento científico e tecnológico da Nação.
 
Coluna da Rede Gestão: O que os governos devem fazer para atrair a atenção dos jovens? O que falta no nosso Ensino Médio?


Sílvia Gusmão: Atualmente, além de melhorar a educação, é igualmente fundamental orientar e preparar o jovem para o mundo do trabalho. Pernambuco, por exemplo, vive um novo ciclo econômico em razão da chegada de projetos estruturadores. Especialistas em economia afirmam que entraremos na etapa da implantação desses projetos. Agora, tanto as oportunidades quanto as exigências para os profissionais serão ampliadas.  Portanto, aqueles que não se qualificarem, certamente, terão grande dificuldade de se inserir no mercado de um modo competente.


Em Pernambuco, para atrair e garantir a permanência dos alunos do Ensino Médio na escola — segmento que responde pelo maior percentual de evasão da Educação Básica brasileira —, estão sendo implantadas as escolas de tempo integral, onde se faz uso da tecnologia em sala de aula, assim como são oferecidas possibilidades de intercâmbio internacional. As escolas de tempo integral no Ensino Médio, expoente dessa política, têm melhorado os indicadores de aprendizagem, em média 1,5 ponto acima das escolas do restante da rede.


No entanto, vale indagar se os nossos jovens estão aproveitando as chances da  escola integral e o crescimento da oferta de cursos técnicos.


A meu ver, dois fatores podem arrefecer o aproveitamento escolar e diminuir o interesse pelos cursos técnicos. O primeiro diz respeito aos efeitos das iniciativas isoladas que não são suficientes para fixar os alunos da rede pública na escola. Sem articulação com outros projetos de desenvolvimento social, não será possível tratar de uma das principais causas da evasão dos estudantes desse universo, que é a necessidade de trabalhar para ajudar na subsistência da família.


O segundo fator é a falta de programas sistemáticos destinados ao processo de orientação profissional. A qualidade do investimento nos estudos cresce quando o aluno sabe para onde deseja ir, aonde quer chegar e o que deve estudar para fazer alcançar suas conquistas. A abertura de cursos técnicos não deveria ter como principal eixo apenas o potencial da região. É preciso vincular esses jovens aos seus projetos profissionais, enquanto projeto de vida.

Isso significa assessorá-los na tomada de uma direção que esteja de acordo com seus talentos, seus interesses, suas possibilidades e seus limites, articulados à realidade do mercado de trabalho. Por esse caminho é mais fácil se construir uma carreira exitosa. A despeito do volume de recursos, são várias as experiências em que programas oferecidos pelos governos perdem a efetividade, porque estão desarticulados do processo de escolha profissional. Não podemos esperar mais. Está na hora de encarar a educação como prioridade. Precisamos cuidar  das futuras gerações dando condições aos jovens de serem protagonistas da sua própria história.


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