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Conversa Não se Joga Fora!

Com a crescente importância do trabalho em equipe, não há dúvida de que cada vez mais precisamos saber conversar.
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Publicado em 12.11.2006 - Edição 423
O historiador britânico Theodore Zeldin, um dos maiores pensadores da atualidade, já nos mostrou como a boa conversa se transformou num aspecto central de nosso trabalho, observando que “Cada vez mais, trabalhar consiste em falar”, sobretudo quando se sobe na hierarquia. Naturalmente, não se trata de qualquer conversa, menos ainda se for daquele tipo que enseja o comentário de que se “está jogando conversa fora”. Essa expressão popular, aliás, tem, pelo avesso, inteiro cabimento: conversa não deve mesmo ser jogada fora. Pessoalmente, acredito que toda conversa deve ser “jogada dentro”, isto é, integrar-se às idéias e contribuir para o avanço do trabalho e do desenvolvimento profissional.

Precipitam-se aqueles que acham que conversa é perda de tempo, como se uma boa conversa não fosse indispensável para arejar um cotidiano de rotina e de pressões. Zeldin está certo: a conversa hoje no trabalho é praticamente “obrigatória” e central. Eis por que não basta apenas “ter idéias”, é preciso trocá-las, expô-las a confrontos, fazendo da conversa um campo de simulação virtual para a resolução dos problemas. Além disso, com a crescente importância do trabalho em equipe e da formação de times de alto desempenho, não há dúvida de que cada vez mais e mais precisamos saber conversar.

Tem razão a sabedoria popular quando diz que é “conversando que a gente se entende”. Isso é, sem dúvida, uma versão parcial e simplificada do que os antigos gregos já praticavam e percebiam em sua gloriosa civilização: é o discurso que possibilita a vida social e a amizade. Sem esse discurso, como bem analisou Hannah Arendt, é como se socialmente não existíssemos. É sobre ele que se radica tudo o mais. Como seria diferente no mundo do trabalho? Como seria diferente numa era que se ufana de ser conhecida como “do Conhecimento” e “da Comunicação”? É, portanto, conversando que atendemos o cliente, que negociamos uma proposta ou um projeto, que fundamentamos nossas escolhas. Os melhores líderes são os que conversam e, conversando, têm disponibilidade para ouvir e acolher o que de melhor se jogou no jogo da conversa. É conversando que nos interessamos pelas pessoas e por sua diversidade, mesmo que aqui e ali sejamos eventualmente tomados pela repetição de idéias, temas e comportamentos. Por outro lado, é de conversas muitas vezes inesperadas e casuais que podem jorrar, de forma criativa, o ouro de alguns insights e o amálgama de que precisamos para consolidar bons negócios e boas parcerias.

Com o predomínio global da democracia e o uso indispensável das novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs), os profissionais já não se contentam com um papel passivo, evitando a acomodação que pode indiferenciá-los no competitivo meio empresarial. Pelo contrário, os mais bem-sucedidos são aqueles que fazem de uma boa conversa um caminho para “fazer a diferença” e enriquecer sua própria técnica e seus relacionamentos. É pelo maravilhoso “atalho” da conversa que muitos profissionais chegam ao centro do que interessa: às idéias, às decisões, aos resultados de excelência e ao pleno exercício de suas potencialidades. Afinal, eles só jogam conversa dentro, tão atentos a si mesmos quanto a seus interlocutores.

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