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Os Bons Cenários e os Riscos para 2008

Há boas perspectivas de crescimento para o Brasil e o Mundo este ano, mas é preciso ficar alerta a alguns fatores de incerteza.
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Publicado em 06.01.2008 - Edição 483

          A primeira coluna do ano é uma boa oportunidade para pensar sobre as perspectivas do período que se inicia. No que diz respeito ao Brasil e ao mundo, as tendências econômicas são predominantemente boas, com algumas incertezas importantes sobre as quais vale a pena falar.
          No que diz respeito à economia mundial, o que se projeta para 2008 é a tendência de um crescimento apenas um pouco menor do que o verificado nos últimos quatro anos, o maior desde o período pós-guerra. A China, principalmente, deve continuar com o seu crescimento recorde, puxando os preços das matérias-primas e mantendo aquecido o comércio internacional.
          São dois, todavia, os fatores de incerteza que podem impactar esse cenário de crescimento. Vista do início do ano, a primeira grande incerteza fica por conta do comportamento da economia norte-americana, ameaçada pela crise das hipotecas imobiliárias, que pode, no limite, lançá-la em recessão pelo encolhimento acentuado do crédito interno para consumo. Se os EUA (cerca de 29% da economia global) entrarem em recessão, o mundo todo sofrerá de alguma maneira os efeitos. O segundo fator de incerteza, além desse, são os elevados preços do petróleo (atualmente na casa dos US$ 100 o barril), potencialmente inflacionários.
          Com relação ao Brasil, as perspectivas são de crescimento apenas um pouco menor do que o recorde verificado em 2007. A grande dúvida que paira sobre o crescimento econômico do País é se ele se sustentará em face dos gargalos da capacidade instalada (fábricas atuando no limite de seu potencial) e das grandes deficiências históricas de infra-estrutura (estradas sucateadas, déficit energético, portos deficientes, etc.). Ainda que os últimos indicadores dos investimentos privado (para aumento da capacidade instalada) e público (para melhoria da infra-estrutura) sejam alentadores, é do desequilíbrio entre oferta e demanda que podem surgir as pressões inflacionárias capazes de provocar o aumento dos juros pelo Banco Central e, conseqüentemente, o arrefecimento do crescimento nacional.
          Recessão (norte-americana) e inflação (persistência internacional de alta do preço do petróleo e pressão da demanda aquecida sobre a oferta interna) são, portanto, os principais riscos externos e internos ao cenário mais provável de manutenção de boas taxas de crescimento econômico mundial e nacional. Vale a pena ficar de olhos neles para calibrar as expectativas e ajustar os cenários setoriais.
          Por fim, aproveitando também a oportunidade, bons cenários e baixos riscos para todos os leitores em 2008 são os votos dos que fazem a coluna Desafio 21.


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