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A Contribuição das Mulheres para a Gestão

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Publicado em 14.03.2005 - Edição 337

As mulheres brasileiras já ocupam mais de 40% do mercado de trabalho, são mais instruídas que os homens, são maioria na Internet, são responsáveis pela maior parte do consumo e são consideradas das mais empreendedoras do mundo. Todavia, ocupam menos de 1/4 dos postos de comando nas organizações e nas empresas. Por quê?

 

Em primeiro lugar, certamente, ainda devido ao peso da milenar representação da supremacia masculina. Afinal, o ambiente empresarial, competitivo por definição, sempre foi tido e havido como "lugar de homem". Como o trânsito.

 

A propósito, o trânsito oferece um interessante paralelo com o que acontece nas empresas. Considerado um ambiente masculino por excelência, as ruas vêm sendo, como o mercado de trabalho, paulatinamente "invadidas" pelas mulheres. O resultado é reconhecido pelas companhias de seguros: apesar de já ocuparem um percentual expressivo do universo de motoristas (igual ao do mercado de trabalho?), as mulheres só são responsáveis por 25% dos acidentes e, em geral, envolvendo colisões pequenas.

 

Deduções que podem ser feitas: as mulheres são menos imprudentes e têm uma visão mais utilitária dos veículos que os homens, para os quais o carro pode ser O paralelo com as empresas é evidente: a competição pelos cargos de direção tem-se dado conforme parâmetros "masculinos", e as mulheres, ao que parece, por estilo, terminam se eximindo de entrar na disputa.

 

Analistas do desempenho dos/das motoristas no trânsito garantem que as mulheres poderiam evitar os pequenos acidentes se treinassem um aspecto no qual apresentam grande deficiência — o reflexo. E se prestassem mais atenção aos trajetos. Muitos acidentes envolvendo mulheres acontecem, asseveram os especialistas, porque as motoristas tentam virar à direita ou à esquerda repentinamente, sem dar chance ao carro de trás de frear a tempo.

 

Convertendo a sugestão para a realidade do trabalho, poder-se-ia dizer que as empresas teriam muito a ganhar se pudessem conciliar, de forma produtiva, prudência, impetuosidade e atenção concentrada no que está acontecendo à sua volta. Em outras palavras: se pudessem conciliar de forma produtiva na sua gestão as boas características tanto dos comportamentos masculinos quanto dos femininos.

 

As pesquisas apontam traços diferentes nos estilos gerenciais de cada gênero. Os masculinos são: ousadia, autoconfiança, decisão, objetividade. Os femininos: empatia, apoio, desenvolvimento, construção de relacionamentos e compartilhamento (de poder e informações). Sem falar no uso da intuição e na facilidade de trabalhar em equipe.

 

É evidente que, para a gestão de uma empresa, são traços que se complementam. A empresa gerenciada com exclusão de uma parte dessas qualidades perde em competitividade. O futuro reserva às mulheres, no âmbito da moderna gestão empresarial, um lugar não só requerido, como essencial.


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