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Comunicação Escrita: Profissionalização Indispensável

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Publicado em 06.02.2005 - Edição 332

Não importa qual o seu negócio: a comunicação escrita é indispensável. Não precisa procurar muito: ao seu redor, pululam relatórios, mensagens eletrônicas, manuais, revistas, códigos de conduta, cartas, atas e memorandos. Só para ficar em poucos exemplos. Você lê, você registra, você arquiva. Para escrever, é claro, você não precisa ser um especialista, assim como acontece para falar. A linguagem é de todos e, sem dúvida, age como o mais poderoso vínculo de integração social. Tudo isso é certo e sabido. O que nunca fica bem claro é que a linguagem e, sobretudo, a comunicação escrita, conta com especialistas. Não é — como a educação nos faz acreditar — uma coisa natural. Natural é a fala, não a escrita. É por isso que a escrita conta com tantos aparatos: dicionários, gramáticas, revisores, editores, intérpretes, etc.

 

Na nossa prática de consultor, sentimos todo o peso da cultura letrada em forma de constrangimento por não se dominar as diversas e amplas convenções da escrita e da imprensa. Mas esse é um domínio dos especialistas. Não há nada de anormal em não se saber escrever segundo a expectativa de um padrão ditado por razões sociais e culturais. Nem por isso se deixa de escrever, nem por isso se deve abandonar a escrita, pois ela é fonte de criação, de conhecimento, de memória, de interação social.

 

A grande e geral angústia é o exercício da forma. Com o nascimento da imprensa, isso multiplicou-se como nunca antes na História. A uniformização (leia-se Lewis Munford e McLuhan) trouxe benefícios, mas, por padronizar, acentuou tudo o que é desvio e sem forma. A imprensa, não por acaso, como Munford viu muito bem, foi a primeira indústria. A Revolução Industrial, poderíamos dizer, começa com Gutenberg.

 

Com base nesses pressupostos históricos e lingüísticos, não há como fugir dos bons ofícios de quem se especializou em Comunicação Escrita. Nesse campo, como em qualquer outro, os amadores dão mais prejuízos que satisfação. Hoje, como antigamente, inclusive no ciberespaço, vicejam profissionais competentes que atuam como mediadores e produtores de conteúdo. Significativamente, cada vez mais personalidades ilustres ficam à vontade com seus assessores de Comunicação Escrita, entre os quais os ghostwriters, que já nem são tão fantasmas assim. Por outro lado, mesmo que profissionais de outras áreas não venham a se tornar exatamente especialistas, é preciso reconhecer que uma capacitação técnica ajuda e muito a melhorar o desempenho cotidiano. Com isso, ganha-se tempo, produtividade e excelência. Mas isso — fique claro — nada ou pouco tem a ver com "língua pátria" (!) e com gramáticas emburrecidas por uma pedagogia caduca. Comunicação Escrita, sobretudo se aplicada ao mundo empresarial, é outra coisa, pois agrega conceitos e valores inerentes à própria realidade corporativa. No mais, as habilidades de escrever e falar — como afirmou Peter Drucker — estão numa relação direta com o próprio sucesso profissional. Voltaremos ao tema.


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