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Cuidado! Chegou o Falso Ético.

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Publicado em 30.01.2005 - Edição 331

O costume, infelizmente muito disseminado no País, de pirataria e plágio de produtos e idéias tem, com certeza, incentivado um outro tipo de falsificação: a da ética.

 

Caricaturalmente apontado como um país onde a ética nunca foi um artigo de primeira linha, o Brasil e o brasileiro sempre padeceram da imagem de pouco éticos. País do "jeitinho" e da malandragem, onde sempre parece ter imperado a "lei de Gerson", o Brasil tem presenciado, nos dias atuais, uma espécie de fortalecimento da ética e da seriedade.

 

Evidência disso é o crescimento do espírito de responsabilidade social e da consciência de que é imprescindível a participação da sociedade na resolução dos grandes problemas do País e no resgate da sua enorme dívida social. Sem falar do avanço da responsabilidade fiscal, inclusive com legislação específica em vigor.

 

Todavia, para não fugir à tradição, a despeito do sentimento e da prática emergentes e em ascensão da conduta ética e responsável, não é raro nos depararmos com um tipo novo de animal na floresta: o falso ético. Aquele que, usando o disfarce da ética, como uma pele de cordeiro, potencializa sua ação perniciosa, não raro lançando mão de conceitos considerados "modernos", como é o caso da "fidelidade à carreira" em detrimento da "fidelidade à empresa". Uma completa insanidade, repetida à exaustão por curiosos e “especialistas” de todos os matizes, inclusive internacionais.

 

Algumas pessoas valem-se da idéia, completamente equivocada, de que o mais importante é ser fiel à sua carreira para — usando da maior desfaçatez e alegando, por exemplo, "problemas pessoais" — desligarem-se de uma empresa para, em pouco tempo, passarem a trabalhar numa concorrente e ainda serem cúmplices no aliciamento de outras pessoas da antiga empresa. Total falta de ética, tolerada como uma atitude “moderna”.

 

Quem tem responsabilidade gerencial deve estar sempre atento para não se deixar enganar pelo falso ético. Se não tomar cuidado, será vítima dele mais cedo ou mais tarde. Na maioria dos casos, mais cedo do que tarde.

 

Por uma razão muito simples: a falta de ética ou de caráter é definitiva.

 

Em todos os outros itens normalmente utilizados para a avaliação dos liderados se pode usar uma escala decimal. Em se tratando do caráter, não. É binário: ou se tem ou não se tem. Afinal, não se pode dizer que alguém tem "mais ou menos" caráter.

 

Essa constatação é especialmente importante porque é comum o falso ético ser também inteligente, intelectualmente bem-dotado e, não raro, charmoso. Muitas vezes, charmosíssimo.

 

Todo cuidado é pouco porque os danos que o falso ético pode causar são muito grandes, sobretudo quando assume responsabilidades maiores, o que é normal, dada a competência operacional que comumente tem.

 

Especial atenção deve ser dada ao disfarce da responsabilidade social que, por constituir-se num conceito atualmente em alta, cai como uma luva para o falso ético, que o utiliza com a desenvoltura digna de um Oscar de efeitos especiais.

 

Portanto, todo cuidado para não cair nas malhas envolventes desse novo representante da aparentemente inesgotável capacidade nacional de falsificar produtos originais, por mais sofisticados que sejam.


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