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Armadilha da Escolha Profissional

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Publicado em 26.12.2004 - Edição 326

Fazer escolhas não é uma tarefa fácil. Provoca inquietações e dificuldades que têm origens objetivas (baseadas em dados e fatos da realidade) e subjetivas (desejos, fantasias, expectativas, ansiedades, temores...). Ambas atuam simultaneamente, produzindo reações diversas. Elas podem impulsionar o enfrentamento da situação ou a fuga, o estado de indecisão e, no extremo, a paralisação, que se evidencia no sentimento de estar perdido e de não saber para onde ir.

 

A escolha de uma profissão, uma das mais complexas, de partida mobiliza o confronto com vários temores: errar, não corresponder às expectativas dos pais, decepcionar, fracassar, perder o apoio da família, assumir a responsabilidade pela escolha... Mas, como nem sempre os temores e outros aspectos subjetivos são conscientes, eles podem aparecer de forma disfarçada nas alternativas que são retiradas de um verdadeiro arsenal de defesa, em cuja composição se encontram as armadilhas.

 

Por exemplo, quando as inquietações são intensas e provocam medo, é comum ocorrer o apego à "convicção" de que não será necessário pedir ajuda porque ninguém exerce muita influência sobre as decisões dos outros. Esta armadilha é uma evidência de onipotência. Outra bastante utilizada é a negação da dúvida e da incerteza, fundamentada na fantasia de que somente os inseguros se colocam em questão. Ambas induzem opções equivocadas que levam, todos os anos, muitos estudantes a considerarem como objetivo principal apenas ingressar na universidade, sem refletir sobre a profissão que estão escolhendo. Desse modo, engrossam a fila daqueles que abandonam os cursos ou os concluem sem fazer projetos.

 

As armadilhas não param por aí. Elas adquirem, também, o formato de opções que são feitas com foco em aspectos isolados das profissões, como escolher Direito apenas porque o mercado oferece chances de concurso; Publicidade e Jornalismo por estar na Era da Comunicação; Veterinária por gostar de animais; além das opções pelos cursos que apresentam baixa concorrência ou exigem matérias consideradas mais fáceis para o vestibular.

 

É muito importante identificar as condições favoráveis do mercado, os interesses, as aptidões, as habilidades, o talento para determinadas áreas do conhecimento, etc. O problema está no modo desarticulado de tratar esses fatores. Uma trajetória de sucesso profissional começa por uma escolha adequada ao perfil pessoal e ao talento. Porém, é preciso analisar esses componentes de modo sincronizado com informações confiáveis sobre profissões, mercado de trabalho e tendências; cotidiano da profissão, ambientes de trabalho e as rotas a seguir.

 

Os desafios produzidos pela globalização, pelo modelo das relações capitalistas, pelo excesso de concorrência — mundial e local —, pelos avanços da ciência, da tecnologia, da telecomunicação, entre outros, alteram a vida das pessoas e o exercício das profissões. Para lidar com essa nova realidade, é preciso estar consciente do que se pretende realizar, traçar rotas estratégicas, persegui-las com determinação e desenvolver a competência para inovar, imprimindo na atuação a diferença que marca a posição dos profissionais bem-sucedidos. É fundamental lembrar que tais condições são próprias daqueles que sentem prazer com o trabalho. 


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