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O papel gerencial do professor

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Publicado em Sun Jun 10 20:42:00 UTC 2001 - Edição 142
Dominar amplamente a matéria, ser exigente e demonstrar autoridade para "domar" a classe. Há algum tempo, essas eram características comuns para se definir um bom professor. Mas a imagem do mestre onipotente, detentor absoluto do conhecimento está, cada vez mais, sendo substituída por uma nova proposta. O professor, hoje, está mais para um "gerente", capaz de administrar com eficiência a sua equipe, do que para um chefe que exige total obediência de seus subordinados. "Não basta ter conhecimento técnico", observa a psicanalista Eliene Rodrigues, sócia do Instituto de Tecnologia em Gestão (INTG), integrante da Rede Gestão. "O professor precisa, como um bom gerente, ser especialista em gente, com capacidade de mobilizar, reconhecer e entender a sua equipe."

Para Eliene, há diferenças básicas nas duas formas do processo de aprendizagem. O professor "tradicional" acredita que detém o saber absoluto. Ele está ali para informar a matéria, passar tarefas e cobrar resultados. O foco é no conteúdo e nas tarefas. "Ele não verifica o entendimento, exige sem acompanhar e não cobra para não ser cobrado", explica a psicanalista. Já o "gestor de sala de aula" informa o conteúdo, verifica o entendimento do aluno, identifica suas facilidades e dificuldades, estimula sua capacidade de pensar e avalia para melhor acompanhar. O foco é no conteúdo, nas tarefas, no processo e nos resultados. "Esse professor procura estimular as discussões e os questionamentos, buscando desenvolver as potencialidades e habilidades do aluno, em especial, a curiosidade e a busca do saber."

A mudança não é fácil. Segundo Eliene, para muitos profissionais é mais cômodo manter-se no papel convencional do professor detentor do saber e, conseqüentemente, do poder "absoluto" dentro da sala de aula. "Mudando essa visão, no entanto, eles contribuem para formar alunos mais conscientes, participativos, criativos. Formar cidadãos", destaca Eliene. Para isso, o professor gestor precisa pôr em prática, cotidianamente, suas capacidades de: (1) Mobilização, envolvendo o aluno, estimulando sua iniciativa e orientando para a tarefa. (2) Reconhecimento, administrando as diferenças, favorecendo discussões e equilibrando elogio e crítica. (3) Entendimento, compreendendo as contradições, suportando o conflito e reconhecendo as diferenças.

Eliene ressalta que estabelecer limites é uma etapa fundamental nesse processo. "Essa nova postura não deve ser confundida com a ausência de limites ou total liberdade", destaca. "Trata-se de entender que o saber não é algo absoluto ou fechado. Ele pode e deve ser compartilhado para produzir outros saberes."

Rede Gestão