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99: Cautela e visão de futuro

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Publicado em 27.12.1998 - Edição 16
Por tudo o que passamos em 98, o próximo ano não será fácil. Os analistas são unânimes em afirmar que haverá uma recessão de -2% do PIB (embora o governo só admita -1%). Não fosse o acordo com o FMI, que amarrou em tempo recorde um pacote de ajuda de US$ 42 bilhões, hoje, depois da quebra da Rússia, estaríamos em muitos maus lençóis (infelizmente, o FMI teve que vir nos obrigar a fazer o que não fomos capazes de conseguir sozinhos: botar ordem financeira na casa).

A economia, portanto, não vai dar sopa em 99: recessão, juros altos, pouco dinheiro, quebradeira de empresas, aumento do desemprego, embora com a inflação baixa, serão a tônica dos próximos dois anos para permitir que nos dois anos seguintes, os últimos do segundo mandato de FHC, o país tenha condições de retomar o crescimento.

Isso tudo vai exigir das empresas atenção redobrada com a satisfação dos seus clientes e com o caixa, num contexto de acirramento da concorrência e de queda das margens de lucro.

Mas uma coisa precisa ser observada com atenção: o impacto da crise não é o mesmo para todos. Uns sofrem mais, outros menos e outros, ainda, até ganham mais dinheiro. Como a crise promove uma mobilidade grande no mercado, quem estiver atento e preparado para ocupar os espaços que aparecerão se dará melhor que aqueles que ficarem paralisados, lamentando.

Criatividade, portanto, é uma das chaves da sobrevivência nessa época de turbulência. Criatividade, cuidado obsessivo com o caixa, atenção permanente aos clientes e a manutenção de uma visão de futuro para a empresa. Sem visão de futuro compartilhada, tudo fica restrito ao curto prazo e as oportunidades deixam de ser vistas por falta de perspectiva.

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