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Construindo uma Estratégia para sua Empresa

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Publicado em Sun Jul 20 18:41:00 UTC 2003 - Edição 252

Estratégia é, basicamente, o conjunto de opções consistentes que uma empresa decide adotar para se orientar em direção ao futuro. Nessa entrevista, o consultor Francisco Cunha, diretor da TGI e editor da coluna Desafio 21, explica a importância do planejamento estratégico para a sobrevivência das empresas — e também dos profissionais — em um mercado cada vez mais competitivo.

 


Para que serve a estratégia?
A estratégia serve para dar um "norte" à empresa. Sem uma estratégia consistente, a empresa fica, como muito bem definiu Michael Porter (um dos "pais" da abordagem estratégica contemporânea), "como uma folha seca, ao sabor dos ventos da concorrência".

 

Como é feito o planejamento estratégico?
O planejamento estratégico é a "ferramenta" gerencial que permite a formulação de uma estratégia. Primeiro, estuda-se o mais profundamente possível o desempenho passado da empresa e projeta-se o desempenho futuro. Em seguida, constroem-se cenários possíveis e se escolhe um deles para servir de referência. Com o cenário de referência escolhido, faz-se a avaliação estratégica da empresa (a famosa matriz SWOT — oportunidades, ameaças, forças e fraquezas), tendo como referência o que a empresa quer ser (visão) dentro de um determinado horizonte de tempo (5, 10, 15 anos, por exemplo). Depois, definem-se os objetivos básicos a serem alcançados dentro de um período de tempo menor do que o definido na visão (constrói-se, com isso, uma espécie de "degrau" para alcançar os objetivos de médio e longo prazos). Por fim, são estabelecidas as ações necessárias para alcançar o objetivo estratégico de curto prazo, bem como a forma de acompanhar e ajustar o que foi planejado.

 

Com o planejamento estratégico, a empresa quer adivinhar o futuro?
Não. Por uma razão muito simples: é impossível adivinhar o futuro. Quem tenta fazê-lo, perde seu tempo. O que é possível fazer, e o planejamento estratégico bem-feito permite isto, é estudar alternativas de futuros possíveis, por intermédio da técnica de construção de cenários, escolher qual o mais provável e definir que postura (estratégia) a empresa adotará tendo-o como referência. Como disse Arie P. de Geus, durante muito tempo responsável pelo planejamento da Shell: "Não é possível saber e não importa qual será o futuro, a única coisa relevante é ter capacidade de responder a pergunta: o que faremos se tal coisa acontecer?". Saber responder a essa pergunta é, em suma, ter uma estratégia para aquele cenário.

 

A estratégia depende do esforço dos empregados para ser ser implantada?
Sim. Eles precisam saber para que lado a empresa pretende caminhar para poder dar a sua contribuição, ajudando a "empurrá-la" na direção certa. Atribui-se ao filósofo romano Sêneca a seguinte frase: "Não há vento favorável para quem não sabe aonde quer ir". Se o empregado não sabe para onde a empresa está pretendendo ir, como ele pode aproveitar os ventos favoráveis? Nesse caso, todos os ventos passam a ser desfavoráveis ou neutros.

 

E o que eles ganham com isso?
Os empregados de uma organização competitiva e com uma estratégia bem definida e executada ganham com a solidez da empresa e com o fato de trabalharem num ambiente produtivo e desafiador. Muito mais estimulante, certamente, do que pertencer a uma empresa sem uma estratégia consistente, portanto sem rumo, mesmo porque uma empresa nessas condições não tem muito mais tempo de vida pela frente.

 

 Posso aplicar o planejamento estratégico à minha vida pessoal e pessoal e profissional?
Sim. Tanto a vida pessoal e profissional quanto a empresarial estão sujeitas a incertezas de natureza semelhante, embora de amplitudes diferentes. Portanto, ambas podem se beneficiar com o planejamento para tornar o futuro menos incerto e ameaçador. As etapas básicas são as mesmas (diagnóstico, avaliação, objetivos estratégicos, programação e acompa- nhamento), só variando a intensidade.


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