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A Língua Portuguesa como Diferencial

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Publicado em 17.11.2002 - Edição 217

Em tempos de acelerada globalização e de inglês como a língua franca para o acesso a prestígio e empregabilidade no mundo corporativo, vale a pena repensar o papel real que o bom domínio de nossa língua materna pode representar em tal cenário. Se saber inglês virou uma rotina e uma obrigação profissional (quase não havendo espaço para quem não o domine, ainda que tal domínio se limite a um vocabulário restrito e comercial), é necessário enfatizar que empresas de excelência e caçadores de talentos também estão de olho no bom uso instrumental do português (ver a propósito recente matéria publicada na revista Você S/A). Utilizar bem a nossa língua pode ser e já é um diferencial competitivo para os profissionais das mais diversas áreas.

 

Parodiando o historiador inglês Theodore Zeldin, que escreveu, em seu livro Conversação, que à medida que se galga mais altos patamares no atual universo do trabalho mais se passa o tempo "conversando", pode-se afirmar, sem temor de exagero, que, do mesmo modo, quanto mais se ascende na escala profissional, mais se necessita do bom uso da língua materna, mais se passa o tempo lendo e escrevendo. A comunicação escrita, malgrado a oralidade de nossa cultura e o uso de meios como o telefone e os audiovisuais, termina por se impor ao trabalho cotidiano. Não é preciso apenas ler, mas igualmente escrever bastante, mesmo que para tanto ninguém cobre um estilo fluente e impecável.

 

Menos realidade do que desejo, o fim do texto escrito está muito, muito longe do atual ambiente competitivo das empresas e do mundo do trabalho. Informações, dados relevantes, pesquisas, memórias, e-mails, simples lembretes e agudas reflexões não dispensam a palavra escrita. Ao contrário, parecem encontrar nesse uso da língua uma "forma natural", já incorporada à cultura como uma segunda pele.

 

Do ponto de vista prático, com relação ao domínio do português, há o mesmo caminho que vale para qualquer outra qualificação profissional ou língua estrangeira: aprendizado e treinamento.  É preciso que os profissionais se desvencilhem de hábitos equivocados e de uma cultura que sempre consagrou a língua como algo para intelectuais, juristas e literatos. É necessário repensar a língua como o primeiro e grande instrumento de comunicação de que dispomos. A experiência mostra que, se se pensar assim, os ganhos podem ser imensos, evitando-se prejuízos, mal-entendidos e aborrecimentos. Portanto, comece agora a desenvolver e lapidar o que "naturalmente" você já traz colado à sua percepção do mundo: sua própria língua. Você pode se surpreender com os bons resultados.


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