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Para Melhorar a Comunicação Escrita

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Publicado em 03.02.2002 - Edição 176

Com freqüência, perguntam-me — e com razão — o que se fazer para melhorar a comunicação escrita. Há um sentimento de urgência em pessoas e empresas. É como se quisessem buscar um "tempo perdido". A urgência, ao que parece, não é senão uma outra face da necessidade cotidiana e imperiosa de se escrever e de se utilizar a língua como ferramenta de trabalho.

 

De saída, penso que é importante afastar qualquer ânsia de "milagre", investindo no que é prioritário na relação de cada um com a própria língua. Do "como uso a língua" é que pode resultar o melhor treinamento. Descobre-se, lamentavelmente, que a Escola não nos preparou para enfrentar as demandas da realidade. O ensino, em vez de se ater às operações práticas da vida, ateve-se tão-somente à expressão literária do idioma. Nada contra a Literatura (como escritor, sou até insuspeito para falar), mas é preciso reconhecer que ao mau ensino da língua em si mesma se associou um uso que não é o cotidiano e pragmático. Naturalmente, isso é fruto da formação sociocultural do próprio País, embora não seja um mal irreparável.

 

Por uma questão didática, costumo simplificar a resposta à tradicional pergunta: O que fazer agora? Digo que a língua portuguesa, antes de tudo, precisa ser amada e que é preciso melhorar a nossa auto-estima com relação ao idioma; em segundo lugar, sugiro um treinamento adequado. Ora, se em todas as áreas da vida profissional, há treinos específicos, por que não no que toca à comunicação escrita? Digo "comunicação escrita" de propósito e não "língua portuguesa", pois aquela expressão tem implicações de sentido diferentes desta última.

 

Dependendo do contexto e da finalidade, a comunicação escrita assume características muito peculiares. Por isso, não se pode pensar em texto como algo monolítico, como uma família em que todos tivessem a mesma fisionomia. Eis um engano que a prática desmente. Há textos e textos e é preciso que redatores profissionais ou não (digamos assim) se dêem conta dessa numerosa diversidade. Eis por que um redator da área jurídica, por exemplo, pode tropeçar na redação de um manual, ou por que um criador publicitário não será necessariamente um bom jornalista, ou por que um articulista da imprensa pode não escrever uma competente carta comercial ou um simples convite de casamento, etc.

 

O que outros consultores costumam observar (e eu próprio endosso por testemunho pessoal) é que as empresas nem sempre se dão conta da importância da comunicação escrita, a não ser... na hora do prejuízo! O texto — quer seja o conteúdo de um folder, quer seja uma simples (?) mensagem de e-mail — tanto pode ser um facilitador da comunicação em sentido amplo (marketing, vendas, etc.) como um obstáculo e um complicador que leva a dissabores os mais variados, inclusive os financeiros.

 

Portanto, não há "milagres" e nem será do dia para a noite que há de se aprimorar a comunicação escrita. É preciso investir na capacitação de funcionários, sobretudo daqueles que, por sua vez, tenham mais facilidade no uso da palavra, porque também é preciso reconhecer, de forma franca e realista, que, como acontece com outras tecnologias, a da escrita jamais será fluente e "natural" para todas as pessoas.


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