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O Mundo em Crise, o Brasil Escapando e Pernambuco Engrenado. Essa Equação se Sustenta?

No lançamento da Agenda TGI 2012, o consultor Francisco Cunha traçou os cenários mais prováveis para o mundo, o Brasil e Pernambuco no próximo ano.
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Publicado em 11.12.2011 - Edição 688

          Mesmo em meio à grave crise econômica que atinge a Europa e os Estados Unidos, Pernambuco deve manter o atual ritmo de desenvolvimento, crescendo dois pontos percentuais acima do Brasil, pelo menos nos próximos cinco anos. Assegurado pelos investimentos da ordem de US$ 30 bilhões já confirmados no Estado, esse prognóstico positivo traz a reboque desafios para o setor público e as empresas pernambucanas, que precisam se preparar para um ambiente de hipercompetição. Além disso, é preciso encontrar soluções para os impactos urbanos do crescimento, como os graves problemas de infraestrutura e mobilidade que afetam a população do Grande Recife.
          A avaliação foi feita pelo consultor Francisco Cunha, diretor da TGI Consultoria em Gestão, durante o lançamento da Agenda TGI 2012, realizado no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções de Pernambuco, na última semana. Durante o lançamento, Francisco Cunha falou para cerca de 1.500 empresários, executivos e profissionais convidados sobre o tema O Mundo em Crise, o Brasil Escapando e Pernambuco Engrenado. Essa Equação se Sustenta?, fazendo um balanço do ano, do ponto de vista político-econômico, e apresentando os cenários mais prováveis para 2012, no mundo, no Brasil e em Pernambuco. 
          Francisco comparou o atual momento econômico mundial a um avião com quatro motores, no qual três (Japão, Europa e Estados Unidos) estão em pane e apenas um, a China, sustenta o voo. Citando a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, ele alertou que a Zona do Euro corre o risco de ter “uma década perdida”. Apesar da gravidade do quadro, ele disse acreditar numa solução em médio prazo. “Mas, por conta dos severos ajustes econômicos necessários, a crise deve durar, pelo menos, mais cinco anos”, estimou.
          Mesmo nessa conjuntura desfavorável, o Brasil, segundo o consultor, continua bem na foto. O mercado interno aquecido, devido ao crescimento da classe C, vem permitindo ao País escapar da crise. Mas ainda é preciso superar um velho problema. “O Brasil está prestes a se tornar a sexta economia do mundo, mas, ao mesmo tempo, está em 84º lugar em desenvolvimento humano”, assinalou.  
          Segundo ele, o País precisa vencer sérios entraves para consolidar seu desenvolvimento: juros altos, déficit público, legislação tributária confusa e injusta, máquina burocrática que cresce mais que o PIB, energia cara, alta carga tributária, gastos elevados com aposentadoria e corrupção. Francisco também apontou o que seriam os oito passos necessários para o Brasil avançar: (1) investir na educação e em novos talentos; (2) melhorar a eficiência do Estado; (3) criar regras claras e garantir a estabilidade das regulamentações; (4) garantir que as regras sejam cumpridas; (5) renovar a infraestrutura de transporte interna e para exportação; (6) perseguir a competitividade e reduzir custos; (7) reformar a estrutura fiscal e trabalhista; e (8) superar barreiras culturais arraigadas. 
          Crescendo mais do que o Brasil, o Nordeste deve manter esse ritmo nos próximos anos. “Mas é preciso que a Região se articule em torno de projetos estruturadores, como a Transnordestina, que, junto com a duplicação da BR–101, consolida o eixo logístico do Nordeste oriental”, destacou.

Pernambuco Mantém Curva de Crescimento

          Estimulada pelos investimentos já contratados, superiores a US$ 30 bilhões e pela chegada de novos setores — como naval e offshore, petróleo e gás, petroquímico, farmoquímico, automobilístico e siderúrgico —, a economia pernambucana continuará crescendo a taxas chinesas, disse Francisco. “Estamos vivendo um momento impensado há alguns anos. O Brasil crescendo mais que o mundo, o Nordeste crescendo mais do que o Brasil e Pernambuco crescendo mais do que o Nordeste.”
          Citando os dados da 11ª edição da Pesquisa Empresas & Empresários, realizada pela TGI e INTG, em parceria com a Ceplan e a Multivisão, ele apontou os dois cenários mais prováveis para o Estado nos próximos 25 anos. No mais otimista, o PIB do Estado cresceria cinco vezes em relação a 2010, chegando a R$ 439 bilhões, o equivalente ao PIB atual do Nordeste. Na segunda hipótese, mais moderada, a economia triplicaria de tamanho, com o PIB chegando a R$ 255 bilhões. “O que vai fazer a diferença entre o primeiro e o segundo cenário é a capacidade de o Estado e suas empresas conseguirem superar os principais entraves e gargalos”, ressaltou. 
          Para Francisco, o maior desafio do setor público é preparar as bases para a próxima geração, investindo em educação fundamental, formação para o trabalho, desenvolvimento empresarial, difusão da inovação, enfrentamento das emergências, melhoria do padrão social e avanço da desconcentração regional. “Já os empresários precisam aproveitar as oportunidades e preparar-se para as mudanças, que serão muitas e profundas. É preciso desenvolver uma postura mais pró-ativa de alianças estratégicas para um Pernambuco global.”

Recife: O Desafio da Mobilidade

          Outro grande desafio será encontrar soluções eficazes para minimizar o impacto do crescimento no dia a dia da cidade. “A frágil infraestrutura do Recife não suporta o ritmo de desenvolvimento de Pernambuco”, alertou Francisco. As consequências, segundo ele, já estão sendo vistas por toda a população, principalmente na degradação das ruas e dos espaços públicos e na crise de mobilidade causada pelo excesso de veículos nas ruas, aliada à falta de serviços públicos eficientes. “Esse é um problema grave, que requer a participação de todos na discussão de alternativas viáveis”, alertou.

 


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