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Brasil e Pernambuco no Mundo Pós-Crise

No lançamento da Agenda TGI 2010, o consultor Francisco Cunha falou sobre oportunidades, ameaças e desafios para o País, o Estado e as empresas.
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Publicado em 06.12.2009 - Edição 583
          Economia forte, inflação sob controle, mercado interno aquecido — sem bolhas especulativas — e uma nova classe média em ascensão. Esse conjunto de fatores funcionou como uma blindagem, protegendo o Brasil dos efeitos negativos da mais grave crise econômica mundial desde o crash da Bolsa, em 1929. Pernambuco, por tabela, também foi pouco afetado. Os principais investimentos estruturadores foram mantidos, e o Estado permanece diante da melhor oportunidade de desenvolvimento dos últimos 50 anos.
          A análise foi feita pelo consultor Francisco Cunha, diretor da TGI Consultoria em Gestão, durante o lançamento da Agenda TGI 2010, realizado no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções de Pernambuco, no dia 30 de novembro. Em uma apresentação para os mais de 1.200 empresários, executivos, profissionais e convidados presentes, ele falou sobre o tema Perspectivas do Mundo Pós-Crise: Oportunidades, Ameaças e Desafios do Brasil e de Pernambuco.
          “Pela primeira vez na história recente, estamos saindo de uma crise melhor do que entramos”, assinalou Francisco, confirmando o cenário traçado há exatamente um ano. No lançamento da Agenda TGI 2009, o consultor afirmava que o Brasil seria um dos países que menos sofreriam com a crise, por estar em uma situação privilegiada para enfrentar as turbulências externas.
          Segundo ele, entre os fatores que mais contribuíram para esse bom desempenho, estão a manutenção da política de estabilização macroeconômica inaugurada com o Plano Real e as reservas de mais de US$ 200 bilhões que eliminaram a dívida externa. Outro aspecto determinante foi a inclusão social. O crescimento econômico, o aumento anual do salário-mínimo a taxas acima da inflação e políticas compensatórias, como o programa Bolsa Família, fizeram com que 32 milhões de brasileiros ascendessem na pirâmide social nos últimos anos —  6 milhões passaram para a classe AB e 26 milhões para a classe C. 
          Para Francisco Cunha, o cenário continua favorável para o Brasil, tanto no campo econômico como político, com o crescente reconhecimento do papel de liderança do País em âmbito internacional. “O problema do Brasil não está no curto prazo. Pode-se dizer que o curto prazo está ‘resolvido’. O problema está no médio e longo prazos se questões básicas como poupança para investimento em infraestrutura, educação e segurança não forem tratadas como políticas de desenvolvimento sustentado e não apenas conjunturais”, avalia.
          Pernambuco Competitivo – Pernambuco mantém-se em um cenário otimista, na melhor oportunidade de desenvolvimento dos últimos cinquenta anos. Durante a apresentação, Francisco Cunha traçou uma avaliação estratégica para o Estado. “Para aproveitar essa janela de oportunidades, Pernambuco tem como principal força sua tradição de empreendedorismo e acúmulo de know-how técnico — capital intelectual — para condução dos negócios.”
          Ele ressaltou, entretanto, que é preciso estar atento às ameaças: acirramento da concorrência, em especial a vinda de fora, e ambiente empresarial adverso — alta carga tributária, financiamento caro e raro, infraestrutura deficiente, baixa capacitação da mão de obra, burocracia. Também é importante que empresários e gestores enfrentem uma grave fraqueza — o baixo índice de “empresariamento” e o forte conservadorismo na gestão, com apego às formas tradicionais de administração.
          “O grande desafio que se impõe ao governo, aos empresários e gestores é potencializar o capital intelectual instalado, visando à profissionalização da gestão empresarial e ao desenvolvimento de uma economia criativa, capaz de enfrentar a concorrência acirrada que se instala no Estado”, sintetizou.

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