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Panorama para as Eleições 2014

O tema foi apresentado pelo economista Maurício Romão, do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau.
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Publicado em 05.10.2014 - Edição 835

Devido à contemporaneidade do tema, como não podia ser diferente, a última reunião da Rede Gestão foi em torno das Eleições 2014, que acontecem neste domingo no Brasil. O economista Maurício Romão, Ph.D. em Economia pela Universidade de Illinois (EUA) e ex-secretário de Administração de Pernambuco, foi o escolhido para debater o tema com os empresários que integram a Rede. Romão iniciou a apresentação com uma análise dos movimentos sociais, citando as inquietudes que assolam o Brasil e o mundo — Europa (Grécia, Espanha e Portugal), passando pelo Egito, pela Islândia, Tunísia, entre outros.

Para o economista e autor de vários livros sobre cenários políticos e eleições, foram os movimentos sociais que acabaram por gerar essa ida da população à rua para reivindicar. “As manifestações modificaram muito o panorama mundial, sobretudo a forma de a população encarar as situações.” Segundo Romão, esses atos têm, entre outras características, a de serem espontâneos na origem, desencadeados por indignação, compostos por pessoas que ignoram partidos, representações, lideranças e organização formal. Além disso, os movimentos são virais, ou seja, utilizam-se da plataforma digital (internet e redes sociais) pelo caráter de difusão e de efeito.

Outra característica desses movimentos, apontadas pelo economista Maurício Romão, está relacionada à forma como acontecem: simultaneamente locais e globais, embora ancorados em identidades específicas, materializam-se enquanto movimento, ocupam o espaço urbano e geram uma consonância cognitiva entre emissores e receptores da mensagem.

Maurício Romão explicou ainda os fatores decisivos para uma reeleição. Ele lembrou que pontos como a popularidade (aprovação do governo), percepção da população sobre o cenário econômico e o tempo que o partido se encontra no poder são bastante importantes.  Quando esses pontos são aplicados ao governo de Dilma Rousseff, as perspectivas não são das melhores para o PT. “O governo bem avaliado é fator essencial para o bom desempenho nas eleições.”

A pesquisa do Instituto Maurício de Nassau, apresentada por Maurício Romão, mostrou que, de uma forma geral, a popularidade dos governos brasileiros está em queda. O estudo apontou ainda que Fernando Henrique Cardoso (FHC), em 1998, e Lula, em 2006, anos das suas respectivas reeleições, estavam com suas gestões bem avaliadas pela população, diferentemente do que acontece com a presidente Dilma este ano. Outro dado interessante foi um levantamento realizado entre 1989 e 2010, com 104 casos de governadores que tentaram a reeleição. Gestores que estavam com mais de 46% de aprovação conseguiram a reeleição; aqueles com aprovação entre 46% e 35% tiveram suas chances reduzidas para 40%; e todos os que tentaram a reeleição com uma aprovação abaixo de 35% foram derrotados nas urnas.
 


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