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Steve Jobs Vai Fazer Falta ao Futuro

Como homem, ele foi um visionário que criou produtos inovadores e conquistou milhares de fãs pelo mundo. Como líder empresarial, era perfeccionista, centralizador e arrogante.
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Publicado em 10.10.2011 - Edição 679

          De calça jeans, tênis, camisa preta e óculos redondos, Steve Jobs revolucionou a Informática (Mac/iPad), a telefonia e a internet (iPhone), a música (iPod/iTunes) e o cinema (Pixar). Era um gênio visionário. Como líder empresarial, no entanto, Jobs era polêmico, daquele tipo que se ama ou se odeia.
          Entregue para a adoção pelos pais biológicos e sem ter concluído o Ensino Superior, Steve Jobs tinha tudo para ser uma pessoa comum, que trabalharia por vários anos na mesma empresa e se aposentaria cedo. Contrariando esse destino, ele foi, ao mesmo tempo, inovador — criando não só produtos, mas principalmente mercados — e um cabeça- dura, a ponto de insistir no controle de todo o processo de produção do hardware e dos softwares, quase quebrando a Apple na década de 1990. Logo em seguida, ele mesmo a salvou, e hoje a Apple é a empresa com o maior valor de mercado do mundo, tendo vendido 300 milhões de iPods em 10 anos, 120 milhões de iPhones em 4 anos e 29 milhões de iPads em 1 ano e meio.
          Como em tudo que fazia, Jobs alternava os momentos geniais e uma série de comportamentos que normalmente são associados ao fracasso de uma empresa. Possuía um estilo autoritário de gestão só tolerável nos gênios. De acordo com relatos de um ex-funcionário da Apple, que escreveu um livro sobre o tema, Jobs gritava com as pessoas até o ponto de humilhar quando julgava estar certo. Ao mesmo tempo, era capaz de conquistar a lealdade de engenheiros brilhantes, o que requer muita habilidade para controlar tantos egos.
          Jobs também era arrogante com a concorrência, chamando a briga para si, muitas dessas brigas com o Google, a Microsoft e — a principal delas — com a IBM. “Se, por alguma razão, nós cometermos grandes erros e a IBM triunfar, meu sentimento é de que a computação entrará numa Idade das Trevas por uns 20 anos.” No começo da sua carreira, quando criou a Apple, ele usou LSD e considerou como sendo uma das três coisas mais importantes que teria feito na vida. Jobs disse também que seu rival, Bill Gates, seria uma pessoa com uma visão mais ampla se também usasse a droga.
          Mesmo sendo considerado um especialista em Marketing, transformando os clientes de seus produtos em fãs, não acreditava em pesquisas. “Não dá para sair perguntando às pessoas qual é a próxima grande coisa que elas querem. Henry Ford disse que, se tivesse questionado seus clientes sobre o que queriam, a resposta seria um cavalo mais rápido”, disse Jobs em uma entrevista à revista Fortune em 2008.
          Entre os altos e baixos de sua atuação como líder, a lição que Jobs deixa é a de que a visão de futuro e a inovação, seja em qualquer setor, são fundamentais a uma empresa. Segundo ele, como o tempo é limitado, não se deve gastá-lo seguindo os outros. “Nós apostamos em nossa visão, preferimos fazer isso do que fazer produtos do tipo eu também. Deixamos as outras empresas fazerem isso. Para nós, a meta sempre será o próximo sonho.”
          Mas, devido ao seu grande ego criativo e centralizador, Steve Jobs cometeu um grande erro não dando espaço nem estimulando seus sucessores. Portanto, sua morte vai fazer uma grande falta ao futuro da Apple. Um exemplo disso é o recente lançamento do iPhone 4S, que não contou com a participação direta de Jobs, pois ele havia entregue o cargo de CEO da empresa para cuidar do câncer. Pelo que foi mostrado, as melhorias do equipamento indicam mais que a Apple está correndo atrás do prejuízo do que inovando, pois seu principal concorrente, o Samsung Galaxy S II, já possui as mesmas funcionalidades desde fevereiro de 2011.
 


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