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|Planejando a Carreira - O profissional em foco - Sílvia Gusmão

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A desorientação profissional custa caro

Vale a pena investir na orientação profissional dos adolescentes? No mercado de trabalho, saber aonde se quer chegar gera confiança e credibilidade.
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Publicado em 21.02.2016 - Edição 907
Essa é uma pergunta que, apesar de os pais costumarem fazer, muitos adiam apostando que o filho amadureça e, sozinho, faça uma escolha certa. Ao protelarem, perdem de vista os efeitos prejudiciais de uma escolha profissional equivocada que gera a peregrinação por diversos cursos ou a conclusão despretensiosa de um deles. Tanto as tentativas de ensaio e erro quanto as repercussões de uma formação distante do perfil do estudante implicam perda de tempo e de investimento financeiro.
 
No que se refere aos efeitos negativos das opções errôneas, nossa experiência aponta para o aumento progressivo da evasão dos universitários e dos problemas e impossibilidades de os recém-formados exercerem a profissão. Em ambos os casos, apresentam autoestima comprometida, associada ao sentimento de fracasso e de incompetência. Devido a essas consequências, os desafios inevitáveis da trajetória acadêmica ou do exercício da profissão não funcionam como estímulo, antes servem de pretexto para a desistência do seu projeto de futuro. Essa situação prejudica o jovem, sua família, as empresas e a sociedade, que deixa de contar com pessoas engajadas no trabalho e dispostas a contribuir para o desenvolvimento social e econômico.
 
Em contrapartida, quem faz uma escolha profissional adequada e sabe o que deseja tem melhores chances de sucesso. A visibilidade do rumo a ser seguido torna a pessoa mais assertiva, determinada, disposta a enfrentar as adversidades. O foco nos estudos e na carreira se constitui em um diferencial em qualquer contexto. Em cenários adversos como o atual, o foco pode impulsionar o desenvolvimento da capacidade de transformar dificuldades em oportunidades.
 
Para o mercado de trabalho, a importância de saber aonde se quer chegar gera confiança e credibilidade. Um grande empresário pernambucano recentemente nos disse: “Percebe-se claramente a diferença dos que sabem o que desejam. Esses são mais bem aproveitados por nós. Aqueles que estão em dúvida, olhamos com reticência”.
 
Essa visão é compartilhada pelos profissionais do setor de Recursos Humanos, os quais, no processo de seleção de pessoal, escolhem preferencialmente aqueles que não mudaram muito de curso.
 
Apesar dessa realidade, os pais, em grande maioria, evidenciam dificuldade em discriminar valor e desperdício. O processo de orientação profissional agrega valor ao dar sentido aos estudos e nortear a estratégia da carreira. No entanto, muito dinheiro pode ser desperdiçado quando os pais patrocinam cursos de diversas matérias isoladas, várias inscrições para vestibulares de uma diversidade de cursos e de faculdades, mensalidades de cursos superiores que não serão concluídos, sem contar com viagens, festas e objetos etiquetados como obrigatórios pela sociedade de consumo.
 
Custa mais caro, em todos os sentidos, contribuir para a desorientação profissional de um jovem.

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