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Análise de Impacto de Grandes Investimentos

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Publicado em Sun Jul 13 14:26:00 CDT 2008 - Edição 510

          Todos sabem as vantagens e os benefícios que a chegada de grandes empreendimentos traz para uma região — geração de empregos, maior recolhimento de impostos, aquecimento do mercado para fornecedores e para toda uma cadeia econômica que se estrutura em torno do novo negócio. Esse, entretanto, é apenas um lado da moeda. Junto com os ganhos, normalmente, vem a reboque uma série de riscos e problemas que nem sempre recebem a devida atenção das empresas, no caso de investimentos privados, e do poder público. 
          Todos os grandes projetos causam impactos econômicos, sociais e ambientais. É importante que os gestores públicos ou privados saibam, entretanto, que existem ferramentas adequadas para planejar, avaliar e monitorar as conseqüências desses investimentos, minimizando os impactos negativos e potencializando os positivos.
          Vamos tomar como exemplo a chegada de uma grande indústria ou a instalação de um projeto turístico de relevância em uma determinada cidade. Naturalmente, um grande contingente de pessoas será atraído para o local, em busca de emprego ou de alguma forma de renda. Se esse impacto não for devidamente avaliado, é muito provável que ocorra um fenômeno comum: pressão urbana no entorno do empreendimento, com uma grande massa de trabalhadores à espera de uma oportunidade e o colapso dos serviços, gerado pelo aumento da demanda por transporte, moradia, educação, saúde, saneamento e segurança.  
          Algumas empresas já entenderam que o custo de planejar é bem menor do que o de consertar os problemas gerados pela falta de planejamento. No Brasil e em especial no Nordeste, onde as tensões sociais são historicamente preocupantes, esse é um risco que não pode ser ignorado. Ao planejar, é preciso também pensar em soluções para que a chegada de novos investimentos não venha a agravar ainda mais os problemas já existentes, e sim contribuir de forma positiva para toda a comunidade. Com uma análise adequada, é possível não apenas mapear e quantificar esses impactos — sociais, econômicos ou ambientais —, mas também definir ações para mitigar os seus efeitos negativos e potencializar os positivos.
          Um estudo de análise de impactos começa com um diagnóstico preciso de todo o ambiente socioeconômico no qual o empreendimento irá se instalar. Essa radiografia permite que se encontrem respostas para algumas perguntas essenciais: que efeitos ele terá, sob variados aspectos — na economia, na educação, na saúde, no saneamento, na distribuição de renda, na moradia, no trabalho — naquela região?  Quais os impactos desse investimento em termos de geração de empregos, demanda por serviços complementares, compra de insumos, terceirização de serviços, receita tributária? 
          Avaliar o impacto em suas múltiplas dimensões permite à empresa investir com racionalidade e ter melhor foco em suas ações. Os ganhos vão muito além de prevenir problemas no âmbito social. As informações geradas permitem à empresa identificar suas forças, fraquezas, oportunidades e seus gargalos, ajudando a definir uma estratégia eficaz para tornar seu produto e serviço mais competitivo. Ao realizar esse tipo de estudo, é possível, por exemplo, mapear a cadeia de fornecedores ou o perfil da mão-de-obra disponível e, a partir daí, firmar parcerias com o objetivo de capacitá-los, entre várias outras possibilidades de intervenção.
          É importante também destacar outro aspecto. Ao minimizar os efeitos negativos e relacionar-se de forma positiva com o ambiente e a comunidade, a empresa adota uma postura socialmente responsável — uma exigência para quem quer tornar-se ou manter-se competitivo no cenário atual. E também dá um passo fundamental para a construção de uma boa imagem junto aos seus clientes, acionistas, fornecedores, ao mercado e à própria sociedade.


Leonardo Guimarães Neto
Valdeci Monteiro dos Santos


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