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O Novo Perfil da Internet Brasileira

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Publicado em Sun Jan 08 13:11:00 CST 2006 - Edição 379
Em 2005, ao completar dez anos de atuação comercial no Brasil, a Internet está mudando o seu perfil. E o primeiro sinal vem do internauta, que está deixando de ser apenas das classes A e B — marca registrada de sua primeira fase —, e corporativo, mais recentemente, para se tornar popular, sobretudo da classe C.

De acordo com um estudo do Comitê Gestor da Internet/IBGE/Ibope, existem atualmente 31 milhões de usuários no Brasil. Desses, 54,70% são homens e 45,30%, mulheres, que gastam em média 18h42min por mês acessando a rede, liderando o ranking mundial. O perfil que representa atualmente 58% dos usuários é composto de pessoas entre 25 e 59 anos, com formação de nível superior e renda de aproximadamente 1.800 reais por mês, desfazendo a imagem de que a Internet é coisa de adolescente.

Os domicílios com Internet já representam 21,43% das residências brasileiras. Na Região Metropolitana do Recife, por exemplo, esse número chega a 24,07%, menor que Salvador (28,03%) e São Paulo (26,84%) e maior que Porto Alegre (21,76%). O Distrito Federal foi o campeão com 38,38%.

A penetração do uso da Internet nas classes A e B mantém-se estável, registrando 87,15% e 58,40% respectivamente. Na classe C, entretanto, o índice cresce rapidamente e já atinge 22,12% das residências, enquanto que, na classe D/E, esse número é de 6,84%. Essa tendência, inclusive, pode ganhar ainda mais corpo se os projetos PC Conectado e Notebook de 100 dólares, assim como a tecnologia Wimax, destaques de 2005, começarem a dar certo a partir de 2006. Principalmente o Wimax, que, ao permitir acesso de alta velocidade a baixo custo pelo celular, quebra uma das grandes barreiras de entrada na Internet: o preço do computador.

O reflexo dessa mudança é a formação de um amplo mercado consumidor nos próximos anos, que dá à Internet a dimensão de que tanto precisa. Nesse sentido, devem se destacar, daqui para frente, o comércio eletrônico, a utilização de serviços, como a telefonia pela Internet (VoIP), e os intermediadores de pagamento (subacquirers), que oferecem, ao mesmo tempo, praticidade e segurança para quem não possui cartão de crédito.

Outro sinal da mudança é a consolidação do uso da rede pelas empresas. O levantamento do CGI/IBGE/Ibope, realizado com 2.030 empreendimentos (sendo 300 do Nordeste), revelou que, em média, 96,29% das empresas com mais de 10 funcionários utilizam a Internet. No Nordeste, esse índice é de 90,79%. No Norte, é de 87,65%, enquanto que as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste registram 98,01%, 97,88% e 97,60%, respectivamente.

Outro indicador do estudo mostra que 59,06% das empresas possuem site, enquanto 39% têm intranet e 22,16% investem em extranet. A banda larga já é utilizada por 57,95% das empresas. Na Região Nordeste, a utilização desse meio é um pouco menor: 50,95%.

O resultado da consolidação do uso nas empresas é que a Internet está deixando de ser usada apenas como meio de comunicação para se transformar também em plataforma tecnológica. Nesse sentido, deve crescer o uso do software On Demand, baseado principalmente em tecnologias surgidas em 2005 (SOA, Ajax e RIA), que conferem às versões via Internet recursos semelhantes aos oferecidos atualmente no ambiente desktop.

Esses sinais indicam o início do crescimento sustentável da Internet no Brasil nos próximos anos, impulsionado pela formação de um amplo mercado consumidor e pela convergência entre meio de comunicação e plataforma tecnológica. Entretanto, é preciso fazer com que as empresas e o governo, sobretudo em nossa região, percebam com clareza os novos ventos e abram suas velas nessa direção.

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