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E-mail: Cuidados Éticos

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Publicado em 25.10.2009 - Edição 577

          A revista IstoÉ Dinheiro, de 16 de setembro último, traz uma discreta nota que pode e deve servir de aviso a gestores e profissionais em geral. Que diz essa nota? Que um importante escritório de advocacia de São Paulo, especializado em mídia digital, foi contratado para defender presidentes de grandes corporações. Esses executivos, através de sites de relacionamento, enviaram suas fotos nuzinhos para moças de “vida fácil” e agora estão sendo chantageados pelas “fornecedoras”...
          Sem qualquer viés moralista, penso aqui apenas em comentar os cuidados éticos que devem ser tomados em relação ao correio eletrônico. Em primeiro lugar, o caso acima é emblemático, quer porque se trate de pessoas teoricamente experientes, quer porque o resultado transformou a “vida fácil” numa inesperada dificuldade. Como as mensagens de e-mail trocadas são, em muitas situações, uma espécie de conversa que se registra, é preciso ficar atento não só ao que se faz ou se diz, mas ao comportamento do interlocutor (É confiável? De quem se trata?). Por outro lado, por ser escrito e integrar, por assim dizer, a internet como um todo, é também necessário imaginar que, sem um interlocutor confiável, qualquer informação pode vazar do âmbito empresarial. Por via das dúvidas, o melhor mesmo é se resguardar e usar de muita cautela, oscilando entre o formalismo e o semiformalismo. Talvez seja necessário se autoperguntar: tudo o que escrevo pode ser realmente publicado? É de se imaginar que, dependendo da natureza do assunto, há riscos de se quebrar a confidencialidade e a ética de um modo geral, comprometendo não só o emissor a si mesmo, como — pior ainda — a própria empresa ou instituição em que trabalha.
          A própria “vida fácil” das mensagens de e-mail — tecnologia já indispensável e comum em várias circunstâncias pessoais e profissionais — não é, evidentemente, um perigo em si mesma. O perigo está no uso e, de quebra, no hábito. Além do hábito, é preciso considerar que a cena que envolve o micro e o usuário guarda uma armadilha: a pessoalidade da relação, a intimidade da cena, está como que invisivelmente cercada pelo seu potencial de publicização, o que leva o “fácil” a se tornar subitamente “difícil”. Noutras palavras, o uso pessoal do micro (e do e-mail) nos induz a não levarmos em conta esse potencial de uma plateia inimaginável. Enfim, nos imaginamos “vestidos” e nos deparamos com uma “surpreendente” “nudez”!
          Os cuidados éticos com o e-mail exigem que, como em qualquer outra comunicação escrita no trabalho, as emoções fiquem de fora ou, pelo menos, sejam moderadas. Seria interessante sempre evitá-las, ficando-se no terreno mais objetivo possível. É de se notar que os executivos da notícia mencionada, mesmo experientes, provavelmente se deixaram levar pelo lado emocional.
          Finalmente, é preciso enfatizar que toda mensagem de e-mail é uma espécie de porta. Não será novidade dizer que, por essa porta, tanto podem entrar como sair informações preciosas, que essa porta pode ser forçada ou arrombada e que, por isso, precisa ser segura como qualquer outro setor ou imagem empresarial. De resto, é fácil imaginar que, além das complicações de caráter ético, a concorrência não só está de olho como pode apanhar a vítima, como no caso dos empresários paulistas, de calças na mão!


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