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Computadores, Internet e Ambiente Empresarial

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Publicado em 19.03.2006 - Edição 389
Numa reunião de empresários, ouvi um deles dizer que, nas empresas, a Internet tanto as dinamiza quanto as enche de problemas, paralisando-as. Como explicar tal fenômeno? Pessoalmente, acredito que a explicação pode se resumir a uma frase: o desconhecimento do meio computador/Internet.

A realidade é que, não obstante o seu amplo uso, a Internet e o computador ainda são ilustres desconhecidos. Do ponto de vista do tempo histórico, a Internet é de ontem, senão de hoje. Como novidade, ofusca, embora atraia. Imagino que, em algumas empresas, confundam a palavra com a coisa, supondo que a Internet (assim como o computador) seja apenas uma, quando, na verdade, são muitas. A compreensão do uso requer, inicialmente, a compreensão dessa pluralidade. Quando se pensa usar uma coisa e se usa outra, instala-se a confusão. Muitos, ainda moldados por meios e suportes anteriores, querem empregar as novas ferramentas como empregavam as antigas.

Outro equívoco comum é pensar a Internet como uma área da Informática. Não é. São áreas que se tocam. O usuário, que deveria focar no software, preocupa-se com o hardware. É como se alguém, para dirigir, procurasse entender de mecânica. Para o usuário, o importante, diante do computador, é o software que lhe convém. Por outro lado, também ocorre de o técnico do hardware querer interferir no uso do software. Isso é mais um discurso de domínio do que qualquer outra coisa. Não digo que não haja interfaces, mas é preciso estabelecer limites.

O computador é um ambiente mental, assim como a Internet. Nesse ambiente, pode-se ler, falar, escrever, ouvir, arquivar, jogar, contar, pesquisar, simular... Como algo com tantos usos pode ser tratado de uma só forma? Internet e computador são extensões da mente, e não um domínio privado de alguns técnicos. Se há um quadro de referências para entendê-los, esse quadro não está fora de nós, mas dentro de nós mesmos. Assim, ambos significam diversas coisas para quem os usa. A idéia de pluralidade já está contida no próprio conceito de rede — não só no sentido de que se estende por vários pontos, mas igualmente no sentido de que envolve.

O computador e a Internet tornam-se essenciais, até porque são extensões da nossa mente. Não transportamos a mente, ela é que nos transporta: “o remetente é o remetido”, para citar McLuhan, cujo visionarismo e cujas intuições nos permitem observar melhor o que se passa e servem de inspiração a estas breves reflexões.

O que instala a confusão nas empresas não é a Internet ou o computador, mas, obviamente, a mente que neles se projeta. Assim, os problemas externos e pessoais podem migrar para o meio pela simples razão de desconhecer sua natureza. Daí tantos usos irracionais, que, em vez de ampliarem forças, agem como contraforças, travando a comunicação e as soluções dos problemas. Quem não usa bem um computador parece agir como um vírus de si próprio, cegando para as saídas que o meio poderia lhe oferecer. Numa empresa em que isso acontece, devem estar faltando treinamento adequado e uma prática que desmistifique a “magia” dos meios. Nelas, com certeza, há um divórcio entre o que se imagina e a realidade que não se quer ver.

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