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O Que Se Contrata Como Revisão?

A revisão envolve inúmeros procedimentos técnicos e diversas ferramentas de trabalho. Para alcançar um bom resultado, diálogo e parceria com o cliente são fundamentais.
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Publicado em 23.06.2012 - Edição 716

          Útil a ponto de ser indispensável à excelência da cadeia editorial e dos seus inúmeros produtos, a revisão de texto tem uma natureza plural que tanto engloba diversos procedimentos quanto requer do seu profissional expertise na língua, acuidade visual e boa dose de conhecimentos gerais. Nela, como em muitas outras atividades, também têm um grande peso “as horas de voo” de reconhecida prática.
          Ao contratarem uma revisão, os clientes costumam perguntar o que abrangem os serviços, dando um claro sinal de que a palavra revisão oculta muitos significados e de que desejam uma explicitação deles. Geralmente, também há um receio de que o texto seja alterado e determinados sentidos possam mudar. E esse receio é tanto mais legítimo quanto mais se sabe do autoritarismo ainda presente em nossa sociedade. Mas uma revisão ética e eficaz não se pretende — nem deve ser — um exercício de poder sobre o texto. Quanto menos invasivo, melhor o trabalho, pois também mais respeitoso com relação ao texto original. Daí por que na Consultexto fazemos distinções claras entre revisão e outros serviços correlatos que prestamos, como a edição de texto, a preparação de originais e a consultoria editorial, sempre em prévio acordo com o cliente.
          Não é raro que algumas pessoas confundam a revisão com uma leitura, por assim dizer, mais lenta. De fato, o revisar exige uma leitura mais lenta, mas, na prática, envolve inúmeros procedimentos técnicos e diversas ferramentas de trabalho (manuais, gramáticas, dicionários especializados, pesquisas em enciclopédias e na internet, etc.). Além disso, as intervenções, por mais ínfimas que sejam, têm sempre de estar muito bem fundamentadas, pois é um direito moral e inalienável do cliente saber, a qualquer tempo, por que mudanças ou intervenções passou o seu texto. Por isso, sem diálogo e parceria, surgirão, na maioria das vezes, conflitos e animosidades.
          Uma evidência silenciada é que a revisão trabalha com a visão. O que significa dizer que ela trabalha com as limitações do olho humano, tentando a desautomação existente numa leitura normal, e sob pressão do gosto por simulação presente em nosso cérebro. Nossa visão – apesar de ser uma maravilha da natureza e dispondo de um terço do cérebro a seu serviço – tem pontos cegos e sempre oferece riscos de colisões e “omissões” à plena vista. Nada, pois, de fantasias de onipotência ao se trabalhar um texto. Logo se percebe que a questão é delicada, pois, com a eventual permanência de uma falha, como saber se ela é fruto da negligência do especialista ou de uma simples pane visual? Assim, é importante que, na contratação, haja explicitação da boa-fé e do ânimo ou da predisposição para se fazer o melhor serviço.
          No Brasil, por força de nossa formação sociocultural, a revisão — não obstante ser constitutiva da cadeia editorial, e mais fortemente entre livros e periódicos, a exemplo das nossas revistas semanais — só aos poucos vem se profissionalizando como deveria. Com a expansão do acesso à educação e à cultura, será natural que essa profissionalização se fortaleça e induza a demanda (e vice-versa) e que o mercado brasileiro, cada vez mais, reconheça e valorize um serviço que agrega correção, qualidade e excelência em comunicação escrita.
 


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