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Leitura como Insumo da Gestão

Na sociedade do conhecimento e da informação, o gestor que não lê compromete sua própria competitividade.
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Publicado em 10.08.2008 - Edição 514

          Mesmo sem uma comprovação baseada em pesquisa, pode-se afirmar que os gestores brasileiros seguem o figurino do panorama nacional (este, sim, já pesquisado): também lêem muito pouco. Para isso, contribuem muitos fatores, dentre os quais os mais visíveis seriam a falta de tempo e de hábito, a pouca formação intelectual e, por contágio, o próprio valor secundário atribuído à leitura por brasileiros das mais diversas profissões. Não é de se admirar que recente pesquisa do Ibope/Instituto Pró-Livro aponte que 45% dos brasileiros rejeitam a leitura e que esta aparece em quinto lugar como opção de desfrute do tempo de lazer. Romper com esse quadro assustador passa, naturalmente, por mudanças de mentalidade que, só aos poucos, irão se impondo à sociedade.
          Dispensável dizer que não se trata aqui da leitura como atividade inevitável e fragmentária, a exemplo do que ocorre na internet e no dia-a-dia de trabalho, nos quais a escrita é absolutamente central. Trata-se da leitura como atividade intelectual e fonte de conhecimento — especializado ou não —, a ser haurida sobretudo nos livros. A título de motivação, pode-se lembrar aos gestores como eles não amadurecerão profissionalmente, numa sociedade dita do Conhecimento e da Informação, se não lerem a chamada literatura técnica de suas respectivas áreas. E lembrar ainda que só com a prática da leitura é que desenvolverão o espírito crítico para discernir o que de fato importa. Nesse sentido, o gestor que não lê negligencia um aspecto crucial de sua missão: o de estar bem informado. Assim fazendo, subestima o poder do conhecimento e da reflexão sobre o que ele próprio, gestor, propõe-se a fazer.
          Também é dispensável, pela obviedade, falar aqui dos benefícios indiretos da leitura, atividade para a qual o neurocientista brasileiro Ivan Izquierdo vem chamando a atenção como biologicamente essencial para o vigor e a longevidade da memória. O que se deve ressaltar, sob esse aspecto dos benefícios indiretos, é a leitura que extrapola a área técnica de cada profissional. Ou seja: a leitura por assim dizer "alternativa" — literária, histórica, de arte ou de qualquer outra natureza. Com essas incursões em áreas diferentes da sua, todo gestor tem muito a ganhar, quer porque isso o ajude a compreender melhor o universo humano, quer porque possa estabelecer correlações e analogias que, de outra forma, passariam despercebidas. Nesse sentido, a literatura artística — a poesia, o romance, o teatro — deveria ser especialmente recomendada, pois é um valioso e imprescindível repositório da atividade humana: de sua história, de seus dramas, de sua esperança, de seus desejos, de sua criatividade. Não custa lembrar que os clássicos são clássicos justamente porque atravessam as barreiras do tempo e do espaço, porque conquistam, em sucessivas gerações, os corações e as mentes.
          Enfim, a leitura pode se converter num poderoso insumo da gestão, desde que dela se faça uma aliada intelectual, uma parceira do espírito crítico, uma inspiradora de motivação, uma experiência a ser compartilhada.

 


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